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Semana da panqueca – Maslenitsa

Blinis - panquecas russas

Hoje começa a semana da panqueca na Rússia, uma espécie de carnaval, também conhecida como масленица ou festa da manteiga. A Maslenitsa antecede à quaresma.
Durante quatro meses não há sol na Rússia e a panqueca é o símbolo do sol, consumida quando termina o inverno.
As panquecas são chamadas de blinis e servidas com manteiga, caviar vermelho, creme de leite azedo, mel ou geleia.
A segunda-feira é chamada de “encontro” e as panquecas começam a ser preparadas. Na terça, começam os jogos. Comem-se panquecas, claro! A quarta é chamada Dia do Guloso, a festa dos genros, que visitam as sogras para saborear panquecas. A quinta é chamada de larga, onde vão de casa em casa recebendo gulodices, cantam, dançam e passeiam a cavalo. A sexta é a noite da sogra, quando o genro convida a sogra e serve panquecas. O sábado é o serão das cunhadas, que oferecem panquecas entre si. O domingo é o dia do perdão, onde todos pedem perdão, até para os desconhecidos. Tenho a impressão que pedem perdão por comer tantas panquecas também… rs!
Essas curiosidades aprendi na
II Feira das Etnias, na Universidade Federal do Paraná.
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Kutiá e Feliz Natal… na Rússia!

Kutiá e as tradições de Natal e Ano Novo na Rússia

Na II Feira das Etnias, ocorrida na Universidade Federal do Paraná em novembro, assisti a uma palestra sobre as festas na Rússia e as tradições a ela ligadas.
A professora Elvira nos contou que o Natal na Rússia se comemora em 7 de janeiro. Isso porque a Igreja Ortodoxa continua adotando o calendário juliano e não o gregoriano.
Motivada pela simpatia da professora russa, que nos contava as curiosidades daquele país e ria bastante, fui registrando tudo e quero compartilhar com vocês.

A festa mais importante do ano é o Ano Novo. As crianças costumavam ganhar uma maçã, três mexericas e um pacote de chocolates, artigos raros. Atualmente, recebem outros presentes nessa data, não no Natal.
Ao longo dos séculos, o ano novo foi comemorado em datas diferentes, mas o imperador Pedro I estabeleceu um decreto em 1699, onde determinava que a partir de 1700 a mudança de ano seria comemorada em 1° de janeiro.
Vejam o teor do decreto:


”O Ano Novo na Rússia cada qual considera diferente. Desta data em diante, ordeno parar de confundir as cabeças das pessoas e em todos os lugares contar o Ano Novo a partir de 1° de janeiro. E, como sinal de um bom começo e de alegria, ordeno desejar um Feliz Ano Novo um ao outro, bem como sucesso nos negócios e paz na família. Em homenagem ao Ano Novo, ordeno enfeitar (a casa) com pinheiros, diversão para as crianças, descer as montanhas de gelo em trenós. Os adultos não devem beber até cair, nem brigar até sair sangue, pois há outros dias para isso.”

Voltando à comemoração do Natal, o Kutiá é um dos 12 pratos servidos na ceia, como entrada.

Kutiá

Kutiá

1/2 kg de trigo em grão
Mel a gosto
50 g de uvas passas
50 g de semente de papoulas
Nozes moídas

Preparo

Coloque os grãos de trigo de molho por 2 horas, pelo menos (ou de véspera). Ponha em panela de pressão com bastante água e leve a cozinhar até amolecer, escorra e depois de fria acrescenta-se mel a gosto, sementes de papoula, passas e nozes moídas.
Detalhes: Quem disse que achei semente de papoula? Primeiro, disseram que estava proibida a comercialização. Depois, voltou a ser liberada. Após algumas andanças, me dei conta que estava “russo”, meu kutiá não teria sementes de papoula.
Quanto ao sabor, se você gosta desses ingredientes, vai gostar do resultado. Agrada-me muito o mel em bolos, pãozinho e outros preparados assados, mas consumi-lo ao natural nem tanto. Há quem faça esse prato com leite condensado, mas aí prefiro o mel, e pouco!
A receita veio de uma descendente de poloneses e alemães, a Suzete, que é casada com descendente de ucranianos. Esse prato também é servido nas ceias polonesas e ucranianas.
Fiz uma porção bem pequena, porque aqui em casa só eu como alguns desses ingredientes.

Camomila

A Matricaria recutita é a flor-símbolo da Rússia. É natural da Europa e norte da Ásia.

Strogonoff – Alfabeto culinário

Strogonoff

Num determinado momento, você aprende a fazer um prato e, se aprovado, fica fazendo assim daí pra frente. Não questiona se é a forma original. Por conta disso, um prato típico pode sofrer uma mudança tão grande que fique descaracterizado. Não acho que devemos nos ater a uma receita fielmente só por isso. Cada um deve dar seu toque, adaptar ao paladar da família, coisas assim.
O fato é que meu strogonoff nunca foi flambado. Vou deixar aqui a minha receita e a de um workshop que participei, quando o Chef Guilherme Guzela nos trouxe, além da receita, várias dicas que representam minha maior motivação em participar desses eventos.
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